palavras, narrativas, emoções, sensações, visões, contações sobre os caminhos no mundo e os encontros das vidas
24 de nov. de 2011
Historinhas da Madrugada. Volume 1
São duas da manhã, momento de voltar para a goma. Seu Sebá anuncia com a canseira carregada nas costas, o fechamento do boteco. “Teu pai dava as caras mais cedo, moleque”, ele diz. Eu, mais fora do que dentro, pedindo meu cartão de débito ao Jeremias que tenta a todo custo fechar o caixa. Todos já se foram. Eu fiquei. O som da porta de aço baixando é uma baita distração. Saudade, nostalgia, novidade e repetição. O boteco do Sebastião, conterrâneo do meu coroa. Sempre gostei. Sobrou-me um cigarrinho que filei do Jorge. O dono do bar interrompe a tragada derradeira avisando que me arranjou carona. “Toma esse embrulho, sanduíche de pernil. No balcão tem uma dose daquela cachaça que teu pai tanto gostava. O Altamiro me manda cinco garrafas todo mês. Ah, saudade de Itamuri”. Mestre Jonas chega. “Cadê o filho do mineirinho?” Grita. Empurra-me táxi adentro.
Primeira Geração
Quando aqui cheguei
Não dei por mim
Conta de coisa alguma
Não tinha nascido
Eu era sonho
No ventre de uma flor
Menino concebido ao longe
Recolhido nos pensamentos
Do abraço embrutecido
De um viajante.
Não dei por mim
Conta de coisa alguma
Não tinha nascido
Eu era sonho
No ventre de uma flor
Menino concebido ao longe
Recolhido nos pensamentos
Do abraço embrutecido
De um viajante.
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