26 de fev. de 2013

Disse o Vampiro


Sonho recente, o sábio da Rua Ubaldino, quase o fantasma que é, me disse ao pé do ouvido:
- Garoto, seja sempre menos autor e mais obra.

lições de v.


para reconhecer a cidade
grandes distâncias ando a pé
atravessando zonas de guerras particulares
braços levantados duelam em salas de reunião
são espadachins urbanos
defendendo causas sem sentido
e o céu sempre o mesmo céu sempre o mesmo
manto acinzentado e manchado de pouco azul
com suas ameaçadoras esponjas úmidas
trazendo consigo novidade nenhuma
somente o caudaloso terror fluído
uma enxurrada de fatos previamente esclarecidos
desespero de muita gente batalhadora

24 de fev. de 2013

Reforma


“Reencontrar a casa
Completa de vazios
Silêncios, escuridão.”

Lembrar e lembrar
Da luta, bruta;

Dores,
Horrores,
Sabores,
Odores,
Flores,
Amores e
Cores.
Valeu viver
E sofrer e sorrir
E chorar, resistir.
Não morrer.
Abraçar, perdoar,
Escolher
Não calar.
E falar
E falar
E falar
E amar.
Ir e voltar
E decidir
Para sempre
Ficar.



14 de fev. de 2013

inerte

cidade imperfeita
caçoa de mim
de minha credulidade
seus sinaleiros piscam
fingindo organizar o tráfego
e quando chove
as águas não podem escapulir
ajuntam-se
perco a confiança

Não duvide do Amor em SP

Rainha das colônias, filhote ingrato que sou, não esperei o teu aniversário. Fugindo, tomei o caminho do mato. Queria atravessar o vale. Escurecer na serra. Romper a fronteira estadual, desafiar o tempo. Trocar de capital, mais uma vez, abraçar a cidade madrasta (somos carinhosos um com o outro, sem explicação e ninguém cobra nada de ninguém). Eu sombreando-me inquieto, apreensivo e receoso às custas do pinheiro - sonhava. Mas a tua loucura não me deixa. Parando num restaurante de beira de estrada, saltando do automóvel, trancando as portas, finalmente alguns minutos de descanso e um café. Um suspiro aliviado; momentâneo porque, cara no vidro, o vislumbre dramático da chave no contato. Antes de buscar solução, lembrei: Paulicéia, casa do meu coração desgovernado.

Mirante

Perdido no fundo dos olhos dela, disse: prá que tudo isso?

Desmotivação, ausência de entusiasmo, tudo é tão cinza; o silêncio oblíquo ocupa nossa casa; certa preguiça, imobilidade. Mas a janela está ...