31 de mai. de 2013

21 de mai. de 2013

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Eram todos a última gota de sangue
Desta taça que se quebrou, estilhaçada
Eram todos os convivas do banquete
Desta noite de desprazer, enfastiados
 
Todas as lutas envenenadas
Para deleite dos consumistas
Esperando o fim das praças
A morte lenta dos comunistas
 
Estranhos não adentrarão o castelo
A cidade arde fora dos muros
Não há mais espanto nas ruas 

As paixões transformadas em cinzas
O fim da arte, da beleza, da iluminação
A decretação dos sorrisos dissimulados

4 de mai. de 2013

Futuro

Do alto do morro,
Casas de tijolo aparente.
Surge o dia útil em silêncio.
Clareza no fim da madrugada.

Há um beco estreito
Beirando a escola.
Esconde surpresas
Para quem chega
Desatento e desavisado
Da rua principal.

Nenhuma expectativa;
Esperanças ignoradas.
O transporte trazendo crianças
Para outra jornada de confinamento.

1 de mai. de 2013

Primeiro Dia


Finalmente, o exercício da profissão para a qual estudou. Vai à escola para conhecê-la. A coordenadora pedagógica, cordial e receptiva, ao saber que você nunca lecionou, lhe diz para não se preocupar. Se ela conseguiu, você conseguirá. Na sala do diretor, o próprio recita um conhecido poema de Brecht. Segue:
OS QUE LUTAM
Há aqueles que lutam um dia; esses são bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; esses são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos anos e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são imprescindíveis.
Bertold Brecht
Faltam dois dias para a categoria iniciar uma greve por reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

Desmotivação, ausência de entusiasmo, tudo é tão cinza; o silêncio oblíquo ocupa nossa casa; certa preguiça, imobilidade. Mas a janela está ...