Demasiado nervosismo... Rubras vibrantes, viscosas, brilhavam com a luz que atravessara a janela pelos pequenos furos na cortina. As gotas. Enfeitavam o caminho entre a sala, a cozinha e o banheiro. Um impulso... Poucos segundos... Quais seriam as palavras apropriadas? Apenas adjetivos roucos, grotescos, apavorantes. Dizeres que filhos não costumam proferir a seus pais. O sangue vivo de uma existência morta. Seu nome era Cão. Assim o conheciam. Só quem foi ao batizado sabia o verdadeiro. Não abanava o rabo. Era orgulhoso. Fazia o corre, andava pelo certo. Naquele dia, foi diferente. Caminhou em direção ao banheiro. Lavou a faca sob a torrente fria do chuveiro. Fez uma oração... Começara mal o traçado de seu destino. Riscado do mapa. O sonho do sumiço. Era o seu desejo desde sempre, fortalecido naquelas horas impassíveis. Executou o padrasto violento.
palavras, narrativas, emoções, sensações, visões, contações sobre os caminhos no mundo e os encontros das vidas
31 de jan. de 2012
16 de jan. de 2012
14 de jan. de 2012
A consciência do peso.
Sobre a mesa, os livros.
Sobre os livros, a cabeça.
Sobre a cabeça, a sentença.
Sobre a sentença, a verdade.
Suspeita.
Sob a verdade, a barganha.
Sob a barganha, o cinismo.
Sob o cinismo, os negócios.
Sob os negócios, a paz.
Dissimulada.
Empurram-nos
Esclarecimentos com ausência de argumentos.
O fazer:
Tecido de duras tramas.
Trabalho alheio e existência.
Dramática costura.
Vida, claridade, chamas.
Ou uma escuridão de absurdos?
Sobre os livros, a cabeça.
Sobre a cabeça, a sentença.
Sobre a sentença, a verdade.
Suspeita.
Sob a verdade, a barganha.
Sob a barganha, o cinismo.
Sob o cinismo, os negócios.
Sob os negócios, a paz.
Dissimulada.
Empurram-nos
Esclarecimentos com ausência de argumentos.
O fazer:
Tecido de duras tramas.
Trabalho alheio e existência.
Dramática costura.
Vida, claridade, chamas.
Ou uma escuridão de absurdos?
13 de jan. de 2012
Vazios embrulhados.
Não quero falar sobre o medo. Sinto dores no estômago. Mas há um vazio maior. Interior, vasto, impertinente. Uma saudade real das coisas que ficaram distantes temporal e espacialmente. Uma saudade imaginária dos filmes que sonhei rodar, dos desenhos que rabisquei mentalmente, tão coloridos, fantásticos, surreais, produzidos nas manhãs de sono esticado, quando a preguiça nos atraca feito âncora no porto seguro de nossa cama. Não tenho super poderes. Desejaria tê-los, no vagar do tempo, enquanto observo pela janela do carro, o mato beirando a estrada. Assim, aproximaria todos os meus amigos. Os antigos, os esquecidos, os jovens, os intrépidos e os joviais, vigorosos; os inteligentes e os espertos. Os raivosos e os "zen". Os militantes e os desapegados.
2012... 1992.
Há vinte anos, nossos sonhos naquela ilha isolada, no meio do Butantã. Aprendendo a encantar cobras e a contemplar flores. Entre feras e feridos, frases feitas, citações prontas, antigas palavras de ordem, leituras que descortinaram nossa inocência, um mundo maior que a nossa outrora pacata Vila Léo, uma viagem sem retorno.
11 de jan. de 2012
"(In)-a-certo".
Caminhar, pensar, problematizar, escrever... Agir; não parar(?) Na outra ponta da estrada, um fim circular. Não termina. Adiamento de algo que não sabemos se vai acontecer. Hoje andei. Sem concentração. Minhas pernas doeram. As palavras, porém, me encontraram na noite anterior. As velhas inquietações estão ganhando corpo. Entender, uma necessidade maior. Explicar, uma obrigação. Convencer, um desafio.
8 de jan. de 2012
Minas.
Velho, teu mergulho não te acordou.
Que fazes de cócoras à beira do rio?
O que levarás das coisas que tu pensas,
que te ferem no todo das idéias?
Teu coração inquieto; estremecidas,
as tuas mãos; tua vontade desencorajada.
O espelho d’água, vês? Reflete tua dúvida.
Sob a ponte, passarão os teus tormentos.
Que fazes de cócoras à beira do rio?
O que levarás das coisas que tu pensas,
que te ferem no todo das idéias?
Teu coração inquieto; estremecidas,
as tuas mãos; tua vontade desencorajada.
O espelho d’água, vês? Reflete tua dúvida.
Sob a ponte, passarão os teus tormentos.
Um pássaro. Espreitando o oportuno...
A riqueza de peixes, o momento,
exuberante, a hora exata.
Aproveitas a sombra da árvore.
As dores e os rancores dissipados.
O tempo do perdão.
1 de jan. de 2012
O momento do astronauta.
O astronauta trabalhou concentrado anos a fio e esperou ansiosamente pela oportunidade de viajar para o espaço. Quando a chance, única para qualquer humano, restrita para poucos, lhe bateu nos ombros, olhou firme para si mesmo, sem espelho, como se isso fosse possível, e foi, porque quando fechamos os olhos, nos vemos inteiros, com todas as nossas arestas a aparar. Percebeu então, que sair da órbita de seu planeta não era uma tarefa pessoal tão importante. Deixou de ser, para ele que viajou pouco pelo mundo, muito pelos livros. Era um capricho social, uma ação probatória, mostrar que era capaz. Pensou em todos as pessoas que conheceu e amou até aquele instante. Uns por alguns minutos, outros por décadas sem fim. Lembrou-se da sua boa e generosa escuta e da vontade impraticável de estar com todos ao mesmo tempo. Um homem capaz de juntar a diversidade, rindo com operários no intervalo para o almoço, numa obra próxima ao Centro Espacial, entre fuligem, proteína, gordura e um aperitivo abrecaminhos para limpar a visão, amolecer o coração e lubrificar as ideias ou, apreciar por horas sem descanso, um eminente amigo professor engasgar com os percalços e rumos incompreensíveis de sua pesquisa sobre a organização estrutural das abelhas. Olhou para seu chefe atônito, que aguardava choro e resposta e que apenas ouviu "Muito obrigado. Pensarei a respeito". Lembrou-se das estrelas acumuladas nos bancos de escola, nas praças, bares, becos lúgubres, surpreendentes e amistosos de periferia, museus, casas de muitos avôs e avós e tios e tias, ruas e esquinas de tantos companheiros e companheiras. Tecnicamente, no último dia daquela volta insuportável em torno do sol, a verdadeira sabedoria, espontânea. Ele tinha uma galáxia pulsando em seu coração.
Claudio H. Ribeiro
Claudio H. Ribeiro
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Desmotivação, ausência de entusiasmo, tudo é tão cinza; o silêncio oblíquo ocupa nossa casa; certa preguiça, imobilidade. Mas a janela está ...
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comecei aos poucos empertigado nesse estado de intensa letargia perdido em meus confusos movimentos paralisado em meus sentimentos
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Anoitecia. Entre pirilampos, a mão do menino caçando estrelas. Aranha tecendo teia. Mundo cheirando chuva. Avó espiando da varanda. Barul...