palavras, narrativas, emoções, sensações, visões, contações sobre os caminhos no mundo e os encontros das vidas
29 de dez. de 2011
Futi
Sempre gostei de futebol. Porém, o futebol oficial, dos estádios, verdade seja dita, nunca me fascinou. Eu queria as histórias. Eu gostava de ler as colunas esportivas. A literatura futebolística dos anos 80. Solene, evocativa. Sempre relembrando os feitos de 58, 62 e 70. Ou mitificando uma grande variedade de futebolistas tão peculiares, com suas pérolas verborrágicas, suas vidas erráticas, suas tragédias quase gregas. Mas, ir a uma partida nunca me atraiu. Muito menos o futebol televisionado. Já o rádio me cativava pela presença de seus verdadeiros craques, os narradores. O futebol que eu amava e ainda amo era o futebol de rua, tão único, hoje, tão raro. A brincadeira, sem pretensões. Riscar o asfalto com um pedaço de tijolo. Nada de Bebeto, Romário, Alemão, Branco, Dunga e outros fantasmas que as vezes ganham Copas. Eu via Binha, Kalil, Dentinho, Reginaldo, Pereba, Juninho, Rafinha, meninos e seus sonhos, e sua bola, e suas topadas de dedão do pé na calçada. Hoje percebi que ainda aprecio a brincadeira. Nem tanto uma brincadeira, a febre das escolinhas. Existe a esperança da profissionalização, contudo, ali, paira o brilho no olhar e a vontade e a fome despertados pela redonda. Pela manhã, eu vi um garoto chamado Léo. Alegre, fanfarrão, falastrão, marrento; e como joga! Fôlego. Cada gol engavetado... E joga na zaga, e joga no meio, e arma, e chuta no buraco da coruja, e pega no gol na falta do arqueiro. Moleque danado! E ainda xinga o juiz e leva cartão e chora no banco. Futebol, uma paixão.
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comecei aos poucos empertigado nesse estado de intensa letargia perdido em meus confusos movimentos paralisado em meus sentimentos
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Anoitecia. Entre pirilampos, a mão do menino caçando estrelas. Aranha tecendo teia. Mundo cheirando chuva. Avó espiando da varanda. Barul...
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