Demasiado nervosismo... Rubras vibrantes, viscosas, brilhavam com a luz que atravessara a janela pelos pequenos furos na cortina. As gotas. Enfeitavam o caminho entre a sala, a cozinha e o banheiro. Um impulso... Poucos segundos... Quais seriam as palavras apropriadas? Apenas adjetivos roucos, grotescos, apavorantes. Dizeres que filhos não costumam proferir a seus pais. O sangue vivo de uma existência morta. Seu nome era Cão. Assim o conheciam. Só quem foi ao batizado sabia o verdadeiro. Não abanava o rabo. Era orgulhoso. Fazia o corre, andava pelo certo. Naquele dia, foi diferente. Caminhou em direção ao banheiro. Lavou a faca sob a torrente fria do chuveiro. Fez uma oração... Começara mal o traçado de seu destino. Riscado do mapa. O sonho do sumiço. Era o seu desejo desde sempre, fortalecido naquelas horas impassíveis. Executou o padrasto violento.
palavras, narrativas, emoções, sensações, visões, contações sobre os caminhos no mundo e os encontros das vidas
31 de jan. de 2012
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Anoitecia. Entre pirilampos, a mão do menino caçando estrelas. Aranha tecendo teia. Mundo cheirando chuva. Avó espiando da varanda. Barul...
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