1 de mai. de 2012

1º de maio.


Eurípedes foi um daqueles sujeitos folclóricos que conheci em uma das tantas esquinas tortas de minha vida. Eu tinha dezessete anos. Trabalhávamos numa pequena gráfica. Ele, um ex-metalúrgico, começou muito cedo, sua militância política numa comunidade eclesial de base.  Na pequena oficina, todos os dias eram de riso e história, muita história. Quando chegou o primeiro de maio, convidou-me para conhecer a sua Vila Prudente. Lá, eu, ele e sua companheira, almoçamos e fomos para São Bernardo. Naquela tarde, o barbudo discursava. Eu já me habituara à sua eloquência típica. Lembro-me bem de 1982, alguns anos antes. Eu era um menino, cursava a terceira série do ensino fundamental e o torneiro mecânico, candidato ao governo de São Paulo, aparecia na tevê e despertava-me o interesse e a curiosidade. A campanha eleitoral no vídeo era diferente. Apenas a foto e a legenda. Bastava. Bastava a barba.

2 comentários:

  1. o eurípedes era um mito!?! ainda outro dia estava numa situação como esta, de diferentes memórias para o mesmo acontecimento. lembrei dos cinco cegos em volta do elefante. beijo. v.

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  2. eu era um menino com poucas referências... o tal sujeito, aqueles dias, muitas dúvidas, inquietações, algumas poucas respostas confusas. eu e o zé paulo brincávamos de "cabra-cega", tentando entender "aquele-esse" mundo.

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