20 de jun. de 2012

Joca


Joca, um cara de onze anos que conheço bem. Língua solta, imaginação fluída, argumentação consistente, pensamento rápido e articulado. Anárquico, carnavalesco, turrão, teimoso. Pensei no maestro Villa Lobos. Durante a Semana de Arte Moderna de 1922, o regente entrou de chinelos no Teatro Municipal para um de seus concertos. Muitos acharam o gesto revolucionário. O sujeito, porém, apenas alegou um problema de saúde. Joca, em seu mais perfeito estado físico e mental, certamente entraria descalço, vestindo calças curtas e deixaria constrangido qualquer um que se atrevesse a criticá-lo. Um gesto revolucionário? Não. Simplesmente, a simplicidade. "Eu sou assim, não posso obrigar ninguém a gostar de mim". Todos gostam. Impossível não se encantar com a personagem. Essa tira do Calvin ilustra de maneira exemplar, nossa tempestuosa, tensa e afetuosa relação.







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