8 de set. de 2012

Cidade dor

Há dentro dele uma dor sem cura. Andar pelas ruas de qualquer cidade e sentir no caminhar de cada pedestre o peso de seus pensamentos. Atrás da catedral em reforma, crianças sem sorte entulham o produto de sua imaginação, driblam o tempo da fome, brincam com tábuas e vergalhões, fazem da ruína, seu castelo. Nas filas dos bancos da Avenida Sete de Setembro – toda localidade tem a sua - pessoas ocup
am-se de seus boletos, pagam o valor da dependência. Coletivos abarrotados, verdadeiros postais modernos, traduzem a imagem peremptória da metrópole. Na região central da mancha urbana, carros importados causam a sensação de progresso, riqueza e bem-estar. Contradizem a podridão estética dos prédios públicos? Não disfarçam a miséria humana das praças e das esquinas movimentadas. Simplesmente confirmam a tese: a concentração do poder, do dinheiro e das pérolas nas mãos de poucos e requintados porcos; à maioria cabe sua travessia diária pela busca do pão da vida. Porém, somos a mesma carne e o mesmo destino final. Políticos rivais - todos parentes -, filhos da mesma cepa, divergem sobre o único significado da visão a rodeá-los. Ao preço de ouro contratam marqueteiros para produzirem o repetido discurso cuja sonoridade encantadora de flautista ilude o trabalhador. Um jogo dolorido com pausas curtas. A respiração necessária para continuar.

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