Zeca, o Turco, sempre dizia: “somos todos uns mentirosos,
condenados ao autoengano”. Eu, de minha parte, calava-me. Percebia, é claro, a ironia no discurso do
homem. Nossa geração e a geração de nossos irmãos mais velhos confirmava, ano
após ano, a afirmação do sujeito.
Testemunhamos por décadas, a arrogância e o escárnio derramados em todos
os cantos, a qualquer hora do dia e da noite. Hoje, calmamente contemplativos,
nesse bar de esquina da Rua Augusta, lamentamos nossa cumplicidade e
subserviência. O que há de se fazer? Quantos revolucionários de merda! Gente bem empregada. Leu isso, leu aquilo. Assistiu ao último filme dos irmãos
Dardenne, do Chabrol! O mundo mudou?
palavras, narrativas, emoções, sensações, visões, contações sobre os caminhos no mundo e os encontros das vidas
22 de set. de 2012
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comecei aos poucos empertigado nesse estado de intensa letargia perdido em meus confusos movimentos paralisado em meus sentimentos
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