22 de set. de 2012

Já dizia Zeca, o Turco.


Zeca, o Turco, sempre dizia: “somos todos uns mentirosos, condenados ao autoengano”. Eu, de minha parte, calava-me.  Percebia, é claro, a ironia no discurso do homem. Nossa geração e a geração de nossos irmãos mais velhos confirmava, ano após ano, a afirmação do sujeito.  Testemunhamos por décadas, a arrogância e o escárnio derramados em todos os cantos, a qualquer hora do dia e da noite. Hoje, calmamente contemplativos, nesse bar de esquina da Rua Augusta, lamentamos nossa cumplicidade e subserviência. O que há de se fazer? Quantos revolucionários de merda! Gente bem empregada. Leu isso, leu aquilo. Assistiu ao último filme dos irmãos Dardenne, do Chabrol! O mundo mudou? 

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