Mãe, a mais sábia dos seres viventes, não pode ser contrariada. Tanto disse que enfiei o pé na jaca e comprei em infindáveis prestações uma máquina de lavar. Mãe choramingando pelos cantos. Levando a mesma vida amarga de sempre. Nem parece ter nome de flor. Reclama dos filhos que não lhe dão merecida atenção. E viaja entre as três direções do sudeste que mais lhe encantam. Ignora o mais lindo do Rio, que não continua. Alegra-se na Baixada. Tardes domingueiras de churrasco com tio Onofre. A sobrinha voltando do batidão funkeiro. Em Minas, menos Bicas, mais Juiz de Fora. Dona Conceição mudou-se para o Rio facilitando as coisas para a filha flor. Visitas esporádicas à tia Graça, sua cunhada, solitária em um cantinho das Gerais. Destino sempre certeiro é o Vale do Paraíba. Na Dutra, faz o sinal da cruz. Ironicamente, meu pai se deu ao trabalho de levar-me, ainda bebê, para ser batizado na Basílica. Eu, batizado na mais importante construção católica do país, a Basílica de Aparecida. Ideia tonta do velho. No interior paulista, cuida do neto. A composição do menino loiro de olhos azuis no colo da avó preta. Impressionista. Enquanto esfrego minhas roupas no tanque (porque a máquina de lavar chegará no próximo sábado), penso nisso e naquilo. Minha companheira e meus filhos adolescentes. Meu retorno ao apartamento do Jaguaré. Paz para escrever, estudar, preparar aulas, cozinhar, lavar, passar, arrumar e pensar. Solidão, silêncio, serenidade e saudade. Sanidade.
palavras, narrativas, emoções, sensações, visões, contações sobre os caminhos no mundo e os encontros das vidas
18 de ago. de 2013
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