20 de jul. de 2012

Não é vampiro. É homem!

Meses aguardando. Percorrendo os caminhos da cidade, investigando os mistérios. A impaciência dominando cada músculo do corpo - tensionando nervos. Horas, minutos, segundos, corroídos por distração. Aconteceu. Instante epifânico. "ELE cruzou o meu caminho." Barba branca inacabada, rala, por fazer. Óculos escuros. O boné de guri. Desce a rua. Reduzo minhas passadas. Não vou encará-lo, por Deus! Estamos a poucos metros da maldita esquina. Todas as letras, palavra por palavra, cada história de Curitiba, reflexo do mundo, ali, dentro do Homem. Extático, perplexo, busco respiração. Dou meia volta. Observo seu distanciamento. O olhar perseguidor segue o velho que vira à esquerda para a rua da livraria do fiel amigo. Ao longe, sua presença persiste. Ameaço acompanhá-lo? Há propósito sincero e legítimo em perturbar o criador? Não. Sou aprendiz disciplinado. Vou deixá-lo em sua vida. E retomo a minha, meus afazeres, meu exílio. Por ora, deixo aqui, meu último e definitivo registro. Talvez eu escreva. Talvez.

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