palavras, narrativas, emoções, sensações, visões, contações sobre os caminhos no mundo e os encontros das vidas
23 de jul. de 2012
Para Júlio
Nunca existira. Era sonho na mente de um louco. Quisera retirá-lo dos pensamentos do homem que deles se alimentara uma vida inteira. Criar dentro de si uma criatura tão amolecida, cravada na história mais inverossímil já contada – um ato impróprio de heroísmo -, mentirinha que se espalha nas bocas e que os olhos inventam enxergar. Chegara a hora do despertar. E no mais rápido dos instantes, prostrou-se diante de um largo e majestático espelho. Cuspiu na imagem refletida diante de seu nariz. Sem cerimônia, compreendeu que tudo o que era não o era como desejara que fosse. Abandonou o apartamento, ânsia de reencontrar-se. Mas já não era o mesmo homem. Era o outro. A fuga que nascia. Anos gestada em silêncio: o ser inventado. Tentava dali em diante, esquecer cada lembrança matematicamente construída em sua memória. Ao alcançar a rua avistou um cavalo alado que pousara na vaga para deficientes. Procurou sinal de algum amarelinho que pudesse flagrar a imprudência do animal. No canto da calçada, mais próximo dele, encontrou um par de botas com esporas...
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