15 de jan. de 2013

Negão


Cresceu no balaio de gatunos que era sua numerosa família, clã de desvairados, protegido pelo zelo espartano de vó Donata, a matriarca quituteira que jogava capoeira já sexagenária no extenso quintal da velha casa com todos os filhos e netos. Negão vara pau desde sempre. Porém, o mais bonito. O olhar pura cor enfeitiçava as tias, primas, irmãs e toda variedade de agregações e possíveis parentescos. Menino observador acompanhava, desde cedo, o tio mais moço, Dário, o Dadá Pinel, em tardes de boteco, jogando porrinha, sinuca e carteado. Preto desconfiado, os olhos verdes azulavam em tons escuros - tempestade misteriosa - assim que enervava. E idolatrava a mãe, Inacinha, mulata atentada, estonteante, mãe de filho único, o escurinho mimado que mamou no peito até os quatro anos.

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